quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Terra Carnavalis

Há mais de dez mil anos nos divertimos nessa festa chamada carnaval. No verão, as pessoas se caracterizavam com os corpos pintados e máscaras para espantar os demônios da má colheita. No Brasil foi chamada de Entrudo por causa da influência Portuguesa. Da Ilha de Madeira, Açores e Cabo Verde, vieram as brincadeiras de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, confetes e serpentinas. Estamos a definhar uma das mais populares das festas.

Meu avô do alto de seus mais de setenta anos fala com a experiência de quem já presenciou mais de quarenta carnavais. " Meu neto, antigamente as brincadeiras eram sadias a gente pulava, beijava e não acontecia briga alguma..." Como o mundo mudou meu avô. Muitos preferem fugir dos circuitos por causa da violência. Outros arriscam-se em um local onde pessoas vão para brigar, roubar e até mesmo matar. E as drogas, difícil saber se existe mais entorpecentes dentro ou fora dos blocos. Contudo, a festa dita como popular temos que pagar quatrocentos, quinhentos reais, para nos sentirmos seguros.

, evoluimos em diversas áreas, porém essa crescente foi desordenada. Não fomos capazes de conservar as melhores coisas sem destruir outras. Elitizaram o popular gradativamente. Com isso, as pessoas não se pintam, compram abadás, não jogam confete, cheiram lança-perfume, não fazem amor, apenas brigam. Ano que vem vamos nos melar de farinha, atirar serpentina, cantar, gritar, beijar, vamos espantar os maus espíritos e fazer uma verdadeira festa. Por favor salvem o carnaval.

7 comentários:

Unknown disse...

Carnaval, época em que procuramos nos divertir para recompensar o ano inteiro. Festa de ótimas expectativas,em que muitos se conhecem, se reencontram, se beijam, se divertem, e que muitas vezes se apaixonam eternamente.
Ahhh, o carnaval! Mesmo sendo, hoje em dia, uma confraternização quase 100% privatizada, os que não podem desfrutar de modo privativo ainda tem o seu pequeno espaço para fazer dele um grande proveito.
Por outro lado, não sabemos como pode se misturar tanta alegria,com tanta lamentaçao, dor, tristeza. A cada ano que se passa a violência aumenta, não se pode mais brincar à vontade e o folião tem que ir à rua com a consciência de que ele está indo para se divertir, mas também com a de que ele pode ser alvo de qualquer imbecilidade de alguém que quer, literalmente, acabar com a felicidade dos outros.

Adorei o seu texto Diogo, aproveitei para expor a minha opinião e junto com ela os meus sentimentos em relação a este tema que a cada dia se torna mais polêmico. Beijos pra você, te adoro! karol.

Cari disse...

É meu querido Sucow. Realmente o Carnaval já não é mais como antigamente... a cada dia que passa, pior fica. "Meeedo"... É por isso que eu prefiro ficar em casa, lendo um livro... e mesmo assim preocupada porque não pára de passar nos jornais a bagaceira que está na cidade. Acho que hoje os lugares que são mais "seguros" são os camarotes -> os grandes <- e com isso você tem que dispor de uma verdadeira fortuna para poder entrar. As pessoas que saem nos blocos são realmente corajosas, primeiro por tomar um tiro em cada olho e sair rindo e pulando e segundo porque o que mais tem é munhequeiras cheias de LP que se você se distrair, você só vê a parada em seu rosto e você já tá lá vendo gnomos e duendes... Sair na pipoca? Aí já são guerreiros, pois têm que se digladiar o tempo inteiro com o milhão de meliantes que estão lá, doidos pra acabar com a alegria das pessoas. É Sukinhow... quem sabe um dia nós não teremos a felicidade de ter um carnaval como o do seu avô?

Tomara!!

Ps: Parabéns Sukinhow... Blog tá 10!!

Anônimo disse...

Eh isso aew man, o Carnaval mudou radicalmente, a violência, as drogas e tudo que vc pode imaginar de ruim, impera no Carnaval. Essa tal festa, chamada de "popular", que atrai milhões de foliões de diversas partes do Brasil e do Mundo, se transformou numa industria de ganhar dinhiero, pois o preço que se paga para poder curtir essa festa com um pouco de segurança e paz, é muito caro.
Pois desta forma, tendo o Carnaval se transformado numa festa de "ricos", eu continuo sempre evitando a minha ida para esta velha "festa popular" que acontece aqui em Salvador...

Anônimo disse...

é suco... hoje em dia perdemos a essência da maioria das coisas que consideramos importantes para nossas vidas, o carnaval é só mais uma delas.
Mas, não adianta ficarmos parados sem nos mobilizar quanto mais massantes e "chatos" formos para conseguirmos o que realmente vale a pena, que sejamos sempre assim... já que esse país e a maioria das pessoas que vivem nele só funcionam na base da pressão.
O carnaval é apelativo para a pornografia, drogas e exploração da imagem mas, se acreditamos que podemos mudar isso, mudaremos! Que demore mas, mudaremos!
É isso aê suco, bom texto, boa observação.
bjaum!!

Anônimo disse...

Oiii irmaozinhu!!! Eu num sei falar bonito como vc... + adorei todos os textos, estão ficando otimos!!!!
Continue escrevendo, um dia descobrem o talento q você tem!!!
Bjinhus!!! Te amo!!

Anônimo disse...

A violência faz parte do cotidiano do nosso país. Acho que o carnaval é mais uma exposição para a podridão que é a política no Brasil. Sim o carnaval perdeu a sua essência como qualquer festa e qualquer dia do ano. Realmente é muito arriscado nos dias de hoje você sair no meu de milhares de pessoas, onde todos se misturam, mas você pode morrer de bala perdida dentro da sua casa também. Eu quero a paz sim, mas não só no carnaval. Quero pegar um ônibus par ir pra aula sem medo, quero dormir de janela aberta em plena segunda feira, quero assistir o jornal e não ver uma criança morta barbaramente em um dia comum que nem era CARNAVAL!! Se queremos paz temos que lutar por ela todos os dias, pq não estamos livres das drogas, da violência , das privações, do preconceito NUNCA!!! EU AMO CARNAVAL!! e não troco meus seis dias de festa por nada. Concordo que o mundo mudou, as pessoas mudaram, mas ficar em casa trancado não ajuda em nada também!! Nostalgia não vai nos dar um mundo melhor, temos que fazer acontecer!!


Beijinhos Di

Laine disse...

Acredito que a estratificação social soteropolitana fica muito mais evidente no carnaval. Onde pobre e ricos apesar de juntos distinguem-se facilmente, ou não! Será?
Essa estratificação social, no entanto não se trata de algo exclusivo de nossa terra, e sim do nosso país subdesenvolvido que é!
Talvez as distinções estejam aparentes nas pessoas de classe média ou média alta que se encontram nos camarotes de luxo e blocos caríssimos e na classe menos favorecidas que saem nos blocos com logotipos como "carnaval com preço de festa" ou na pipoca, ou aqueles que precisam trabalhar pra sobreviver e vão aproveitar a festa para ganhar o seu trocado, seja vendendo petiscos no circuito, sendo "cordeiros" ou mesmo catando latinha. Fora os que vão para roubar, que para eles é seu meio de ganhar a vida. Triste dizer mas é isso aí! É a vida!
Violência...! Bem, essa existe em todo lugar. E você não achou que em um local que concentra mais de 1 milhão de pessoas ao mesmo tempo teria somente paz?! Não que eu concorde ou goste.
E uma ressalva a ser feita, é ilusão dizer que somente pobre sai na pipoca ou que só rico saia em camarote, afinal de contas já existe a algum tempo cartões de creditos que dividem em dez mil vezes sem juros! Velha tática do pobre! rs!
O que concordo e me entristeço é que os camarotes estão tomando cada vez mais as ruas e impedindo que pessoas que não querem ou não podem sair em blocos ou camorotes possam participar mais livremente da folia. Também os blocos estão aumentando cada vez mais sua capacidade de pessoas, lotando as ruas e cobrando muito caro, mas tem quem pague e não é só o turista. Isso é fato!
O que ocorre é um sistema avassalador, talvez aquele nosso velho conhecido: o capitalismo! mas que tem quem o mantenha. Eis aí a questão!
Quanto às mudanças, acho que tudo muda um dia... Eu mudei, o carnaval também... Bem, eu não saíria mais por aí usando mamãe sacode... rs Alguém lembra disso? hehe!

Talvez eu esteja indo um pouco de encontro com os comentários acima, concordo com muita coisa e já me revoltei com muitas outras mas como tudo muda, minhas opiniões sempre se renovam.

Acho que quem lê o que comento deve achar que amo carnaval, que sou foliã nata. Mas na verdade não! Contabilizo 3 carnavais ao longo de meus quase 21 anos e nesses três não contabilizo muito mais que 6 ou 7 horas de estada ao todo! Esse ano, o meu terçeiro carnaval, na noite ianaugural fui para Ondina. Vi coisas interessantes: muito turista "pipocando"; alguns cordeiros dançando nas cordas mais que os integrantes do bloco, trabalhavam numa felicidade que só. Tristeza mesmo era ver crianças a catar latinhas no circuito. Tristeza fruto da pobreza do nosso país, das diferenças. Posso até querer que as diferenças acabem mas afirmar que isso vai ocorrer é hipocrisia. As difereças socias sempre irão existir mas podem ser amenizadas com a educação e é isso que reivindico sempre e peço reforço. Educação que habilite as pessoas a procurar meios melhores de vida, ou a educação doméstica mesmo que impeça um cidadão por simples senso de jogar um papel de bala pela janela do ônibus. Isso entope bueiros e causa os alagamentos que nós solteropolitamos conhecemos bem.
Educação é o caminho... e enquanto essas distinções existem de forma tão dráticas vamos reivindicar ou simplesmente votar certo. Também enquanto o povo é lenhado que ele possa se divertir por estar dentro do bloco do Nana nem que seja nas cordas. A festa é a válvula de escape para quem não tem como escapar da vida! O que resta é a esperança e o uso das armas que tem em prol de um mundo justo. Você pode, eu posso e "um mais um é sempre mias que dois"

Bem Diogo, comentar é comigo mesmo, polemizar ainda mais... gosto demais disso afinal de contas faço História, não é! Na verdade quis mostrar um angulo diferente das coisas. Gosto de enxergar o outro lado da moeda sempre! Espero que seja válido! Como acredito que o debate de seja lá o que for sempre é valido acho que já valeu! Um bju e continue escrevendo... Sempre é bom!